
Portugal tem que fazer mais pela promoção da sua língua e cultura no Brasil, defendeu hoje em Lisboa o cientista político brasileiro
Luiz Alberto Moniz Bandeira, sustentando que os portugueses não podem discriminar a sua "maior obra".
Moniz Bandeira, professor de história da política externa do Brasil na Universidade de Brasília, falava no seminário "A Política Externa Brasileira e as Relações com Portugal e os países Lusófonos", na Embaixada do Brasil em Portugal.
O professor, que reside há mais de uma década na Alemanha, onde é cônsul honorário do Brasil, defendeu que "o futuro da lusofonia está, sobretudo, no Brasil", considerando que os portugueses não podem "discriminar a sua maior obra".
Além disso, afirmou que é preciso "maior entrosamento político e cultural" entre os dois países, e defendeu a necessidade de dar a conhecer o Brasil aos portugueses.
"É necessário que os portugueses conheçam mais o Brasil porque grande parte não conhece. É preciso leccionar história do Brasil. No Brasil estudamos História de Portugal porque fomos colonizados, agora aqui esquecem-se que nos colonizaram", afirmou.
Moniz Bandeira destacou que o Brasil "é o suporte para Portugal manter a sua identidade nacional".
O embaixador da Missão Brasileira junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Lauro Moreira, lembrou por seu turno que em cada cinco pessoas que falam português, quatro são brasileiras."Em 2008, o Brasil tinha 193 milhões de habitantes, o que significa que em menos de 50 anos acrescentou 120 milhões e falantes de português ao mundo", disse Moreira, acrescentando que a cada ano o Brasil adiciona mais dois milhões de falantes do idioma.
O embaixador do Brasil em Portugal, Celso de Souza, destacou a necessidade de "aproveitar esta comunidade linguística" para lançar as bases "de uma acção concertada dos países da CPLP no cenário internacional".